Memórias de Charqueada |
Memórias de Charqueada
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Charqueada realizou em dezembro de 1999, no Centro Cultural, uma exposição denominada "Memórias de Charqueada", em homenagem aos 46 anos de emancipação política do município. Na ocasião foram apresentados objetos transitórios da história cultural, política, social e econômica de seus moradores.
A todos que se emprenharam na execução deste projeto, especialmente a equipe da Secretaria Municipal de Eucação e Cultura, as professoras das escolas municipais e os preciosos cidadãos que valorizam a história do seu povo e município, queremos apresentar nossos melhores agradecimentos pelo valioso apoio dado, fornecendo-nos elementos históricos que valorizam nosso trabalho.
Os organizadores:
Adriana M. Corder Molinari
Elisete Ap. Rasera
Felipe Piva dos Reis
HISTÓRICO DO MUNICÍPIO
Versão não oficial
A origem de Charqueada nos remete ao final do século passado, época de inúmeras colonizações, das tropas de sertanistas bandeirantes que buscavam novos horizontes e novas alternativas para fixarem com suas famílias, de terra fértil e água boa. Numa dessas andanças, atraídos pela caça abundante, tiveram que realizar uma "charqueada" nas carnes resultantes dessas caças, para não perdê-las.
Aos poucos foram chegando mais colonizadores, principalmente a partir de 1886, com o surgimento dos primeiros trilhos da Ituana (E.F. Sorocabana), que trouxeram consigo também as primeiras pousadas e armazéns, entre os quais o do Sr. Luiz Antonio de Souza Barros que, anos mais tarde seria vendida à Antonio Furlan, considerado o legítimo fundador da cidade.
Foi ele quem, a partir de 1894 montou uma olaria para a construção de uma casa hotel que serviria de pousada para pedreiros, ferreiros e também para acomodar a primeira farmácia. Outras importantes obras de Antonio Furlan foram a instalação e o financiamento da primeira escola primária da cidade, em 1901 e a primeira capela, entre 1902 e 1903.
O Distrito de Paz de Charqueada foi criado no Município e Comarca de Piracicaba, em 18 de agosto de 1911, tendo como Juiz de Paz, Antonio Furlan e primeiro Escrivão, Antonio Cintra. Mas apenas 42 anos mais tarde conseguiu sua emancipação, tornando-se Município de Charqueada, pela Lei nº 2.456 de 30 de dezembro de 1953, executada oficialmente em 1º de janeiro de 1954.
No decorrer de décadas, o município por estar em uma zona canavieira, não resistiu e, teve suas culturas agrícolas, que eram também de subsistência (arroz, feijão, milho, mandioca, etc.) reduzidas sensivelmente, chegando à monocultura de cana-de-açúcar.
É importante registrar dois outros produtos que em momentos diferentes marcaram a história sócio-econômica e cultural do município: o café e a seda.
O cultivo do café no início do século, nas grandes fazendas, cujos proprietários eram, na maioria, imigrantes italianos, absorvia grande parte da mão-de-obra e a fixava no campo.
Os anos 70, foram marcados pelo auge da produção de seda pura. Na época, a indústria de seda Rivaben, hoje desativada, gerou mais de 1000 empregos diretos e, indiretos na criação do bicho da seda, que produzia o casulo, matéria-prima para produção de seda natural.
A pecuária também já teve maior expressão, mas os campos foram em grande parte substituídos por terras cultiváveis.
A monocultura de cana-de-açúcar fixou grande parte da população na zona urbana, atraiu migrantes. Destes, muitos fixaram-se no município, e outros não, mas a migração com retorno na entre safra, é uma constante.
A cidade expandiu-se moderadamente. Nos últimos 10 anos instalaram-se 2 núcleos habitacionais e 4 loteamentos.
O comércio e a indústria são modestos, merecendo destaque as confecções de jeans, empresas de médio e pequeno porte, que nos últimos anos instalaram-se e abriram espaço para a mão-de-obra feminina. Fatores como a localização, proximidade com as estâncias de Águas de São Pedro e São Pedro e com a Serra do Itaqueri, de grande beleza natural e pouco explorada, propiciam o surgimento de empreemndimentos ligados ao setor de Turismo e Lazer. O município para classificar-se junto ao governo do Estado como cidade de porte turístico, podendo assim, receber incentivos e atrair novos investimentos.
São do atual Prefeito, Luiz Mauro Vieira as seguintes palavras:
"turismo, a chamada indústria sem chaminés, é hoje sinônimo de geração e recursos e empregos. Uma comunidade que não valoriza suas raízes, será sempre dependente, retardando seu desenvolvimento".